segunda-feira, 13 de junho de 2011

Ebadi



Fui a conferência do Fronteiras do Pensamento nesta segunda-feira pronta pra mexer em um assunto que me ativa demais. Gênero. Sei que Shirin Ebadi é muito mais do que uma feminista de plantão e que isso é quase uma heresia. Mas não posso deixar de me emocionar com o fato de uma mulher que não tem mais de 1 metro e meio de altura ter desafiado uma das ditaduras religiosas mais radicais do mundo. Refiro-me a um país onde ainda se aplicam a mulheres sentenças de morte por apedrejamento. Onde, de acordo com as leis vigentes, o valor da vida de uma mulher é metade do valor da vida de um homem. A maior idade feminina é aos 9 anos, enquanto a masculina é aos 15.

Ebadi fala em farsi iraniano, pausadamente, sem muita emoção na hora do discurso. O peso da luta que carrega esteve no palco esta noite. Ela fez contato com o público. Moderadamente, mas fez. Foi agradável e devolveu a boa recepção, chegando até a descontrair em alguns momentos na hora dos questionamentos.

Quando perguntaram a grande pequena iraniana sobre a ocidentalização do mundo ( ela vive hoje na Inglaterra como exilada e mantém relações com os Estados Unidos) respondeu. O que vocês chamam de ocidentalização? Falo de DIREITOS HUMANOS e não de McDonald's ou Coca Cola. Falo de padrões mundiais pra definir a vida.

De uma mulher que fez bonito hoje para outra que decepcionou geral.
A ministra Maria do Rosário tentou fazer política na abertura da conferência . Pior que isso, tentou se explicar em nome do Governo pelo fato da presidente Dilma Rousseff não te recebido pessoalmente Ebadi no Planalto. Pelo menos foi o que pareceu o discurso inflamado que ela entoou no palco do Fronteiras, deixando até o apresentador da noite, jornalista Luiz Antônio Araújo, confuso. Depois de uns 15 minutos de ladainha alguém da platéia gritou “CHEGA!” e todos aplaudiram demonstrando que já era hora de encerrar. Ficou feio.

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