terça-feira, 11 de novembro de 2008

Para minhas mais que amigas










Sempre acreditei na força que nos une, uma espécie de vibração que os adolescentes chamariam de vibe. Pois é, não somos mais adolescentes mas estamos há muito tempo na mesma vibe e isso é tão incomum que fica até difícil de explicar.




Já vivemos momentos em que nossos caminhos seguiram rotas diferente, mesmo assim essa força acabou por nos reaproximar logo em frente.




Pra mim isso significa muito. Em todos os momentos em que me perdi, havia uma de vocês pra me ensinar o caminho de volta e me mostrar quem eu sou realmente. Sei que será assim pra sempre, e esse saber me acalma um pouco a alma nesse momento de tantas incertezas.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Então..

Andei meio afastada nos últimos tempos. Meio afastada de mim, eu diria. Procurando respostas pra alguns desencantos, me perdi no meu exagero. Quis reiniciar a caminhada com novas cores, amigos, gostos, músicas e cenários... Como se fosse possível nascer de novo. Como se fosse legal viver a história de outra pessoa.

Descobri dia desses que se você escolhe um caminho, define prioridades e inicia a caminhada, torna-se irremediavelmente responsável por estas escolhas. São suas, fazem parte da sua história e de nada adianta lamentar possíveis tropeços.

Andei meio perdida, atrapalhada, cansada. Perdi alguns momentos do crescimento do meu filho - que já está cheio de idéias próprias. Perdi de vista amigos queridos. Perdi a forma, o tesão, a energia e autenticidade.

Foi então que fiquei cinza.

Quando tudo era caos lembrei das minhas âncoras. Tenho duas. Guardam meus segredos e estão sempre por perto me ajudando a levantar e seguir.

Há pouco tempo a múscia voltou pro rádio e as coisas ganharam cor novamente. Estou de pé e mesmo ainda um pouco bamba já comecei a correr.

É assim que eu sou, sempre cheia de pressa.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Pela janela do carro vejo a miséria e não faço nada

Já faz algum tempo que a editora deste caderno me convidou para que escrevesse sobre a relação com o bairro onde moro. Imediatamente o argumento para o texto me veio à mente, mas a aridez do tema escolhido adiou um pouco a encomenda.

Há oito anos e meio, assim que descobri que estava grávida, me mudei para o Menino Deus. Já troquei de apartamento, mas permaneci no bairro onde trabalho, faço ginástica, compras no supermercado, shopping. Posso dizer que boa parte de minha rotina acontece aqui.

Apesar de não faltar elementos para descrever os encantos do bairro, decidi abordar um assunto que muito me inquieta, principalmente quando o Minuano começa a soprar, avisando que o inverno será longo e rigoroso. Quero falar da miséria, talvez na sua versão mais cruel. De pessoas, que, para a maioria de nós, cidadãos socialmente incluídos, são anônimas e quase invisíveis. A não ser quando atrapalham o caminho, deitadas nas calçadas, ou nos abordam nas sinaleiras para pedir esmolas.

Uma pesquisa realizada pelo Laboratório de Observação Social da UFRGS e encomendada pela Fundação de Assistência Social e Cidadania identificou a existência de 1.203 adultos vivendo na rua em Porto Alegre. A maioria deles (41,3%) atribui sua situação a rupturas familiares. Os dados servirão para definição de políticas públicas, segundo as autoridades responsáveis.

Na esquina da Ipiranga com a Getúlio Vargas, a Sociedade Espírita Doutor Ramiro DÁvila serve um sopão para moradores de rua há mais de 50 anos. São mais de 300 pratos diariamente. A vizinhança reclama. Não gosta da multidão de maltrapilhos que se aglomera nas imediações esperando pela comida, tem medo de assaltos e das confusões que às vezes eles protagonizam.

Termino mais um dia de trabalho, pego o carro e ligo o ar para me aquecer enquanto percorro o curto percurso que me separa de casa. Em uma das esquinas o sinal está vermelho. Com os vidros fechados e o som ligado não escuto o que o menino diz quando se aproxima. Não é uma cena inédita, nem algo exclusivo do meu bairro, mas o dia está especialmente frio, e ele veste pouca roupa. São muitas as justificativas que tenho para não abrir o vidro e dar as moedas. Mas é com muita culpa que arranco quando o sinal finalmente abre.

A miséria e a exclusão social não são problemas só do meu bairro. Mas é aqui, nas ruas do Menino Deus, que eles se mostram todos os dias para mim e perguntam: afinal, o que eu estou fazendo para mudar isso?

(Texto publicado no ZH Menino Deus do dia 26 de junho de 2008)

quarta-feira, 23 de abril de 2008

O tempo não pára

Sou de uma família de médicos. Quer dizer, formado, assim com diploma, são dois: meu irmão e minha cunhada. Mas isso é mero detalhe. Se considerarmos a área da saúde como um todo, temos ainda uma dentista. Dizem que os dentistas são os piores pacientes, pois eles não sabem, mas tem idéias... No caso da nossa dentista, posso dizer que ela sabe muito. De dentes. Por isso não fique muito tempo falando com ela se você não estiver com a dentadura em dia porque ela vai reparar. E o que é pior, poderá lhe dar uma dica.

Eu sou jornalista, mas como adepta e defensora ferrenha da psicoterapia como facilitadora da vida e da convivência entre as pessoas, considero-me especialista na área terapêutica. Por isso, diagnósticos ligados a distúrbios comportamentais ou de personalidade são a minha praia. Conheço um desajustado de longe. O que não significa que eu fuja deles.

Mas a chefe da equipe é mesmo a professora Sônia: minha mãe. Não é aconselhável tomar medicação alguma sem perguntar a opinião dela antes. Até porque ela conhece todos os genéricos, similares e seus efeitos colaterais. Pelo menos você terá vantagens do ponto de vista financeiro.

Acho que as mães sempre acabam aprendendo com a medicina da vida. São noites cuidando de febres, dores de garganta, ouvido, ou as tais viroses que ninguém sabe como chegam ou vão embora. Só mesmo as mães. A minha também é ótima em situações de risco ou tensão. Ela está sempre ali, serena, com sua mão firme e quente, pronta a passar a noite acordada numa cadeira desconfortável de hospital ou aos pés da nossa cama.

Quando meu filho nasceu, de cesariana, dividi o quarto com outra pessoa. Assim, ninguém da família podia me acompanhar à noite. Foi um dos momentos mais difíceis da minha vida. Ficar sozinha com aquele bebezinho indefeso que viria pro quarto sem manual de instruções era algo aterrorizante de imaginar.

Tentei disfarçar o pânico e meu marido logo foi embora, resignado. Já a minha mãe resistiu até o último momento. Deixou o quarto de madruga e cedo da manhã estava de volta. Meu pai disse rindo no outro dia que ela pensou em passar a noite sentada na recepção do hospital. Então percebi que só eu e ela sabíamos, naquele momento, o tamanho do meu medo. Coisas de mãe.

No ano passado meu pai teve um infarto. Foi um susto tremendo que já passou. O que ficou mesmo foi a lição de que eles começam a precisar mais de nós, os filhos. Minha mãe estava lá, ao lado dele. Firme como uma rocha. Mesmo assim comecei a ver alguns sinais de cansaço no rosto dela. É o ciclo da vida, sempre impiedoso, nos dizendo que o tempo vai continuar passando não importa o que a gente faça ou deixe de fazer.

Eu odeio Páscoa

Isso não tem nenhuma conotação religiosa. Pelo contrário, depois que eu fiquei mais crescidinha perdi um pouco aqueles rompantes contestadores e passei a respeitar a fé e as crenças de cada um. Mas mesmo assim eu continuo odiando a Páscoa por um razão simplérrima: eu sou viciada em chocolate e estou de dieta desde os meus 12 anos.

Como é fácil de perceber, dieta e chocolate não combinam e a festa do coelhinho vem para complicar ainda mais as coisas. Soma-se a tudo isso o fato do meu filho ter sete anos, ter pais separados e ser neto único (não bastava ele ser filho único). Isso significa que o anjo ganha ovos não apenas no domingo, mas durante uma semana, pelo menos.

Este ano eu decidi que iria cortar o mal pela raiz: não provaria nem um pedaço sequer. Seguindo aquela máxima de evitar o primeiro gole. Mas isso é fácil de dizer antes do ovo ser aberto. Quando inicia aquele barulhinho do papel celofane eu já começo a salivar. Quem tem esse problema vai me entender! Claro que eu não consegui cumprir a combinação e paguei o mico de sempre. Foi só o guri abrir o primeiro ovo que eu me atraquei numa das metades e sai correndo pra ter certeza de que ninguém iria me impedir de comer tudinho. O João nem dá mais bola e segue o seu ritual de abrir todas as embalagens para ver o que tem dentro de cada ovo de Páscoa.

Passado o surto inicial do primeiro dia eu já consigo raciocinar e começo o processo de convencimento do João sobre a importância de distribuir chocolates a quem não tem. Ele sempre resiste um pouco, mas tem bom coração e acaba topando.

Praia
Passamos o Feriado no litoral norte. Apesar de um certo movimento na Freeway, achei a praia bem vazia. E suja. É impressionante como mal acaba o Verão e a beira do mar já se transforma em um lixão. Nossa orla, que já não é aquela maravilha, podia pelo menos ser limpinha. Depois reclamam que praia de gaúcho é Santa Catarina.

Aliás, quando eu era adolescente eu bem que gostava da Páscoa. Até porque era a última oportunidade de ir com as gurias para Santa antes do inverno mandar para o armário os biquínis e chinelinhos. Era uma Páscoa bem diferente porque ao invés de ninhos a gente procurava surfistas, nosso passa-tempo preferido. E naquela época acho que eu não ligava muito pra chocolate....

Um pouco de poesia

Meu medo se interessa por qualquer ruído.
Hoje quero alguém para conversar enquanto dirijo, baixar os faróis em estrada litorânea, enxergar pelas mãos.
Carpinejar. Cinco Marias

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Mulher não chora

Manhã fria, esfria meu peito
Uma saudade de alguém que não partiu
Um dor que ainda não chegou, mas me espia sorrateira, sem se deixar apanhar.
Escorre um pranto miúdo, tímido.

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Todo dia correria

Vontade de não acordar. Só mais um minuto.
Vida sem amor fica inodora, incolor.
Quem arrisca... pode dar com os burros n’água
Agora não adianta chorar é... pernas, pra que te quero!
E chega de deixar a vida te levar.

terça-feira, 8 de abril de 2008

Rumos aos 78



As minhas melhores amigas são do tempo em que a gente usava cabelo new wave - tipo Chitãozinho e Chororó - e saia canelada até as botas. Ainda antes disso. Do tempo em que matar aula pra ficar de bobeira, só conversando, era falta grave. Como vocês podem ver, as minhas melhores amigas estão comigo uma vida toda.

Este ano a primeira da turma via fazer 40 e resolveu comemorar a data de forma discreta. Para tanto, juntou seu aniversário com outra sister que, por sua vez, ainda não chegou nos Enta, mas está quase lá, como todas nós.

Teremos uma comemoração dupla. Resolvi então juntar os 38 anos da Tina com os 40 da Rô para fazer um exercício: imaginar como estaremos em 2086.

Será que vamos comemorar juntas nossos 78 anos?

Imaginem só aquele momento tire suas dúvidas com a dra Daniela Jung (a médica da turma) que sempre acontece nos encontros dos últimos anos.

A temática das perguntas já vem passando por renovações. Primeiro tínhamos dúvidas sobre resfriados, um mal estar passageiro ou até sobre a possibilidade de uma lipo no joelho ou canelas.

Mais tarde, e até bem pouco tempo, voltamos nossa atenção para o universo infantil. E mesmo as que ainda não tiveram seus filhos passaram a fazer questionamentos do tipo:

- Quantas horas o leite dura na geladeira?
- Quando é melhor introduzir a fruta? -
- É normal coco mole ou coco duro?

Quanta poesia!

Mas neste ano que passou houve nova mudança no tema central da conversa. Saímos um pouco da pediatria (graças a Deus!) e passamos para a estética facial. Desconfio que nossa amiga, anestesista, está mais confortável, mesmo que esta especialidade exija que ela também nos examine e dê diagnósticos imediatos.

A dinâmica do momento é sempre a mesma. Ficamos em volta da doutora, falando todas ao mesmo tempo e disputando, cada uma com suas armas, a atenção da mesma.

- Olha pra mim! Tu acha que eu preciso dar uma esticada aqui?
– E eu! Olha pra mim agora amiga! Lifting é adequado para essas manchas do meu rosto?
– Eu tenho essa pele aqui ó, tá vendo?

Então...conseguiram viajar no tempo e ver esse momento único daqui a sete décadas? Nós todas meio surdas, falando ao mesmo tempo com da Dani sentada ali no meio - narinas inflando - pedindo dicas sobre....

Que tipo de dúvidas será que vamos ter aos 78 anos?

Não sei, prefiro acreditar que teremos mais de certezas, menos angustias e um pouco de paz. Afinal, se envelhecer não faz bem pra pele pelo menos pode ser um lugar para se colher frutos de boas escolhas, como manter por perto, a vida toda, as amigas de verdade.


Memória póstuma

Engraçado perguntares assim, de forma tão leviana, se eu te odeio. Se um dia tivesse por ti sentido ódio pelo menos teria a certeza de que havia existido amor entre nós dois. Mas não. Eu não te odeio. Faz muito tempo que deixei de te odiar.

Acho que jamais conseguimos fazer da paixão nascer um sentimento maior, que pudéssemos chamar de amor.

Fomos irresponsavelmente felizes em alguns momentos e desesperadamente infelizes por não conseguirmos vencer os desafios impostos pela rotina de uma vida a dois, ou a três. Falhamos várias vezes e isso foi acabando conosco.

Não fizemos planos, nem concessões, talvez algumas, mas nenhuma capaz de nos tirar do casulo, da frente do espelho.

Dois umbigos e um filho vivendo na mesma casa.

Não fizemos planos e construímos muitos castelos, todos de areia.
Um dia o vento veio e restou apenas terra arrasada. Era questão de tempo.

Hoje voltamos confortavelmente para nossas posições iniciais. O elástico já não está esticado, não há mais pressão ao centro e podemos recuperar a diplomacia.

Não houve um adeus, nem abraço de despedida. Seguimos em frente, fingindo alguma intimidade que pelo menos justifique o fruto dessa relação.

terça-feira, 1 de abril de 2008

Escrever pra não falar

...E cada vez que fujo eu me aproximo mais. E te perder de vista assim, é ruim demais. E é por isso que atravesso o teu futuro e faço das lembranças um lugar seguro...

segunda-feira, 31 de março de 2008

Reencontro




Era uma vez duas amigas que se conheceram muito cedo, ainda meninas, no tempo das brincadeiras de esconde-esconde, pega-pega, patins e bicicleta.

Uma era gordinha e falante e a outra magrinha e bem mais quieta.
Depois, ainda juntas, saíram das águas tranqüilas da infância para enfrentar as turbulências da adolescência.

Picharam muros, trocaram roupas, amaram sem serem correspondidas e choraram. Comemoraram o primeiro beijo a primeira transa. Viajaram pra perto, sem sair de casa... E pra longe com pouco dinheiro no bolso e muita disposição.

Um dia uma das amigas, aquela que falava demais, olhou para o lado e não encontrou sua companheira com quem havia dividido boa parte da vida.

No lugar estava outra pessoa, totalmente desconhecida, que tinha uma certa crítica no olhar. A menina que sempre escutou agora queria falar e ser ouvida.

A outra então se calou por muito tempo, sem aceitar que a amiga não precisava mais da sua voz, pois tinha encontrado a própria maneira de dizer as coisas.

Então vieram os filhos e novas experiências a serem compartilhadas. As duas meninas que outrora enfrentaram seus pais e tatuaram o corpo, tornaram-se mães zelosas.

Este ano aquela que falava demais voltou a reconhecer nos olhos da amiga a menina com quem dividiu os melhores anos da sua vida e sentiu-se acolhida.

Ela ainda fala bastante, mas apreendeu a ouvir. Ainda bem, porque aquela magrinha, meio tímida, do início da história, tornou-se uma mulher cheia de sabedoria e ouvi-la faz bem pra alma e pro coração de todos que estão a sua volta.

segunda-feira, 3 de março de 2008

Puts, virei tiete...


Desde de pequena sempre fui dada a paixões tietes. Nada grave. Nunca cheguei a montar fã-clubes, mas apaixonei-me por professores, por exemplo. No colégio, cursinho pré-vestibular e já na faculdade.

Depois foi o instrutor da auto-escola. Pensem bem, o cara que te dá segurança naqueles primeiros dias ao volante tem seu valor! Principalmente se ele não é pai ou o irmão mais velho, que te chama de estúpida a cada apagada do carro.

Acontece que esta fase de tiete até tinha passado depois do casamento, filhos e outras distrações. Mas de repente alguma coisa me levou de volta ao mundo da fantasia, talvez algumas pequenas frustrações no campo afetivo. Assim posso imaginar que o Wagner Moura é realmente o cara mais interessante da face da terra e por isso, mereceria um fã clube, do qual eu deveria, inclusive, ser integrante. Além de ótimo no que faz, ele é adequado, fofo e engajado politicamente, sem ser chato.
Pronto virei tiete.

Sempre tem o risco dele bater na esposa, como o Kadu Moliterno. Porque até aquele episódio em que ele deu um soco na cara da mulher em pleno trânsito, qualquer uma poderia citá-lo como um exemplo de homem.

Bom, enquanto nenhum paparazzi pegar comportamentos suspeitos do Wagner, ele é meu ídolo. Assim entro em zona de segurança. Fico livre de frustrações com homens desinteressantes e assuntos repetitivos.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Meus irmãos são tudo de bom




Irmãos são coisas boas nessa vida. Tenho dois mais novos que sempre parecem mais velhos do que eu. Apesar de diferentes em quase tudo, somos bons amigos, principalmente agora que já nos tornamos irremediavelmente adultos. Inclusive eu!
Que bom, dizem que o mundo está precisando de adultos, pois a cultura da juventude eterna está retardando o amadurecimento das pessoas ao limite do ridículo (ou além deste limite).

Meus irmãos são de uma geração que planejou o seu futuro com cuidado. Tornaram-se pequenas empresas: EU S.A. Não perderam tempo combatendo o capitalismo e seus efeitos na exclusão social ou pensando se o socialismo poderia ser uma alternativa ao comunismo de Marx. Eles foram à luta, mas para defender o seu futuro, não o dos outros, porque "os outros" é algo muito subjetivo.

São bons profissionais os meus irmãos e ótimas pessoas. Praticam o bem e têm amigos leais. Serão pais excelentes com uma vida segura e cheia de coisas boas, como viagens de férias, carro com ar condicionado e casa com piscina.

Já eu faço parte de uma outra turma.
Quando tinha 18 anos já morava sozinha e acreditava que um fusca e a minha carreira de jornalista poderiam me levar longe. Não queria casar, mas morar no Nordeste para acompanhar de perto o sofrimento do povo com a seca e a falta de comida.

Acabei sendo a primeira das minhas amigas a entrar de branco numa igreja (e ainda mudei meu nome e adotei o sobrenome do marido!).
Depois me separei e casei de novo. Nesta época eu ainda via o mundo com meus óculos azuis.

Então tive meu filho e comecei a precisar daquelas coisas banais que sempre fizeram parte do projeto de futuro dos meus irmãos.

Hoje continuo me esforçando pra entender onde deixei meus sonhos e ideais, também não encontro mais os meus óculos azuis.
Por isso, quando fico muito atrapalhada diante deste futuro que chegou pra mim tão diferente, peço colo pros meus irmãos. Afinal para eles o mundo sempre fez mais sentido.