Se você tem entre 35 e 45 anos e não é um casal pode estar tendo alguma dificuldade para encontrar diversão na capital dos gaúchos depois das 10h da noite.
Se for mulher e não estiver pensando em jantar (muito menos em coisas mais apimentas que este blog não publicaria) realmente seu problema é sério.
Eu me refiro a lugares com boa música e pista de dança, onde não haja fila para entrar e você não corra o risco de ser chamada de tia enquanto espera para usar o banheiro.
Sejamos justas aqui e vamos reconhecer que Porto Alegre oferece um bom número de bares e restaurantes para os mais variados paladares e poder aquisitivo. Temos ótimas opções tanto na cidade alta (chamo assim os arredores da rua Padre Chagas) e baixa (em referência ao próprio bairro que virou reduto do pessoal mais cult).
Bom, mas esse não é o caso.
Nosso objetivo é aquela esticadinha, para depois do momento onde ficamos todos reunidos em mesinhas - cada um na sua - bebendo cerveja ou vinho e beliscando petiscos.
Estou falando de uma coisa mais interativa, com corpos balançando e música alta. Um momento de deixar o stress da semana de lado. Algumas horas sem pensar em nada.
Depois de anos voltei ao Bar Ocidente.
Se você tem entre 35 e 45 anos já ouviu falar e se tem mais do que isso ou menos também.
O lugar foi um ícone do movimento punk em Porto Alegre, lá pelo início da década de 80, antes de aderir totalmente aos quadriculados da new wave. Foi um lugar emblemático para minha geração, assim como o Encouraçado Botequim foi para outras que me antecederam.
Lembro de uma fase em que a vizinhança organizada do Bairro Bom Fim queria proibir o seu funcionamento, pois o lugar, além de reunir até de manhã um pessoal com roupas e hábitos duvidosos, não tinha nenhum isolamento acústico, claro.
Conseguiram limitar o horário, nos dias de semana até a meia noite e nos fins de semana um pouco mais. Foi uma verdadeira guerra! E nós, freqüentadores assíduos, protestávamos reunidos no Bar do Lola, na esquina em frente.
Bom, o tempo passou e o lugar continua firme. Dizem que a vizinhança que tentou fechá-lo em 80 almoça lá aos domingos, pois seu buffet vegetariano é imbatível.
No primeiro sábado deste mês fui ao Ocidente com um amigo. Era a Festa Balonê que acontece sempre nesta data, há mais de seis anos. Não foi a minha primeira vez na festa, mas teve efeito semelhante.
Ali estavam pessoas da minha geração, junto com gente de outras gerações, ouvindo boa música e suando juntas ao balançar seus corpos na pista de dança.
Foi uma noite quente de março em Porto Alegre bastante divertida.
Mas atenção, se você se incomodava antes dos 30 com lugares quentes e lotados onde é preciso quase um milagre para conseguir comprar bebida, não volte ao Ocidente, pois o Toni continua atrás do balcão muito mal humorado, sem a menor pressa para atender a multidão que se aglomera no tablado de madeira.
E lá de cima, ao lado dos DJs o grande Fiapo Barth continua acompanhando as festas sem a menor intenção de colocar ar-condicionado e fechar as janelas do seu bar.
Acho que a vizinhança está mais amigável.

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