
Irmãos são coisas boas nessa vida. Tenho dois mais novos que sempre parecem mais velhos do que eu. Apesar de diferentes em quase tudo, somos bons amigos, principalmente agora que já nos tornamos irremediavelmente adultos. Inclusive eu!
Que bom, dizem que o mundo está precisando de adultos, pois a cultura da juventude eterna está retardando o amadurecimento das pessoas ao limite do ridículo (ou além deste limite).
Meus irmãos são de uma geração que planejou o seu futuro com cuidado. Tornaram-se pequenas empresas: EU S.A. Não perderam tempo combatendo o capitalismo e seus efeitos na exclusão social ou pensando se o socialismo poderia ser uma alternativa ao comunismo de Marx. Eles foram à luta, mas para defender o seu futuro, não o dos outros, porque "os outros" é algo muito subjetivo.
São bons profissionais os meus irmãos e ótimas pessoas. Praticam o bem e têm amigos leais. Serão pais excelentes com uma vida segura e cheia de coisas boas, como viagens de férias, carro com ar condicionado e casa com piscina.
Já eu faço parte de uma outra turma.
Meus irmãos são de uma geração que planejou o seu futuro com cuidado. Tornaram-se pequenas empresas: EU S.A. Não perderam tempo combatendo o capitalismo e seus efeitos na exclusão social ou pensando se o socialismo poderia ser uma alternativa ao comunismo de Marx. Eles foram à luta, mas para defender o seu futuro, não o dos outros, porque "os outros" é algo muito subjetivo.
São bons profissionais os meus irmãos e ótimas pessoas. Praticam o bem e têm amigos leais. Serão pais excelentes com uma vida segura e cheia de coisas boas, como viagens de férias, carro com ar condicionado e casa com piscina.
Já eu faço parte de uma outra turma.
Quando tinha 18 anos já morava sozinha e acreditava que um fusca e a minha carreira de jornalista poderiam me levar longe. Não queria casar, mas morar no Nordeste para acompanhar de perto o sofrimento do povo com a seca e a falta de comida.
Acabei sendo a primeira das minhas amigas a entrar de branco numa igreja (e ainda mudei meu nome e adotei o sobrenome do marido!).
Acabei sendo a primeira das minhas amigas a entrar de branco numa igreja (e ainda mudei meu nome e adotei o sobrenome do marido!).
Depois me separei e casei de novo. Nesta época eu ainda via o mundo com meus óculos azuis.
Então tive meu filho e comecei a precisar daquelas coisas banais que sempre fizeram parte do projeto de futuro dos meus irmãos.
Hoje continuo me esforçando pra entender onde deixei meus sonhos e ideais, também não encontro mais os meus óculos azuis.
Então tive meu filho e comecei a precisar daquelas coisas banais que sempre fizeram parte do projeto de futuro dos meus irmãos.
Hoje continuo me esforçando pra entender onde deixei meus sonhos e ideais, também não encontro mais os meus óculos azuis.
Por isso, quando fico muito atrapalhada diante deste futuro que chegou pra mim tão diferente, peço colo pros meus irmãos. Afinal para eles o mundo sempre fez mais sentido.

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