Engraçado perguntares assim, de forma tão leviana, se eu te odeio. Se um dia tivesse por ti sentido ódio pelo menos teria a certeza de que havia existido amor entre nós dois. Mas não. Eu não te odeio. Faz muito tempo que deixei de te odiar.
Acho que jamais conseguimos fazer da paixão nascer um sentimento maior, que pudéssemos chamar de amor.
Fomos irresponsavelmente felizes em alguns momentos e desesperadamente infelizes por não conseguirmos vencer os desafios impostos pela rotina de uma vida a dois, ou a três. Falhamos várias vezes e isso foi acabando conosco.
Não fizemos planos, nem concessões, talvez algumas, mas nenhuma capaz de nos tirar do casulo, da frente do espelho.
Dois umbigos e um filho vivendo na mesma casa.
Não fizemos planos e construímos muitos castelos, todos de areia.
Um dia o vento veio e restou apenas terra arrasada. Era questão de tempo.
Hoje voltamos confortavelmente para nossas posições iniciais. O elástico já não está esticado, não há mais pressão ao centro e podemos recuperar a diplomacia.
Não houve um adeus, nem abraço de despedida. Seguimos em frente, fingindo alguma intimidade que pelo menos justifique o fruto dessa relação.
terça-feira, 8 de abril de 2008
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