Dia 23 de fevereiro eu fiz 40 anos e estou me sentindo plena como há muito tempo não me sentia. É como se eu começasse, enfim, a ver beleza nas marcas que o tempo deixou no meu corpo e na minha vida. É mesmo possível ser feliz sem o pulsar da juventude, sem o ritmo frenético da vida aos 20. Demorei a acreditar nisso. Hoje posso falar com a sabedoria de quem já flertou com o perigo. Arriscou muito e perdeu algumas vezes. Tenho muitas histórias pra contar, memórias, amigos que foram e os ficaram pra sempre.Sempre fui voraz e devorei cada segundo da minha existência, por isso sofri intensamente minhas perdas e comemorei com paixão todas as vitórias.
Aos 40 não me agrada mais o efêmero. Blefar com a vida. Quero um amor mamífero, com sabor de aconchego. A paixão precisa virar amor, do contrário o prazer vira droga, com direito a repé e crise de abstinência. Neste instante, felicidade pra mim é sol no rosto, uma corrida pela manhã, programar uma viagem e conversar com gente interessante. Felicidade é amar alguém que possa me fazer uma pessoa melhor e me ajude - no futuro bem próximo - a decidir o horário que meu filho deve voltar pra casa nas suas primeiras investidas pela noite sempre insegura e perigosa.
Amor é sexo com intimidade e possibilidade de descobertas a dois.
Não resolvi me apaixonar por ti. Sabemos que isso não é coisa que se resolve. Gosto muito de falar contigo. De estar contigo. Te admiro cada vez mais. Já te disse isso muitas vezes. Acho que meu coração, que andava atrapalhado, serenou. Então eu te vi mais uma vez. Agora com os olhos de uma mulher.
É isso.
Um beijo
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
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